sábado, 14 de abril de 2012

a noite cai completamente. entramos na madrugada, em um lugar perto música alta toca sem perceber o incomodo que causa aos seus vizinhos de rua, de ouvidos. o céu está negro, há poucas pessoas na rua. um bêbado, certamente. uma mulher deixada após a briga no bar. um salto quebrado. o vento sopra frio e devagar. a música insiste em incomodar. não há limites na cabeça de muitas pessoas. e há limites demais na cabeça de mais um tanto.

os lápis de cores estão espalhados e o coração grita por uma cama grande, pelo seu cheiro nos lençóis, escuridão e sono. na folha, antes branca, agora há um começo de balão, apenas mais um desenho incompleto esperando por cores. os fones de ouvido estão a todo volume música mais agradável que a que toca por perto. o sono está aqui mas ainda não pede cama. não sozinha. as mãos buscam algo interessante, não encontra nada. não há nada.

o ideal era a calmaria e o amor sentado sorrindo, confuso, como sempre. o que terá acontecido com aquela gritaria em você? aquela falta de calma? o que aconteceu com a criança birrenta e sem sentido? eu gosto da confusão no seu rosto. eu consigo rir tão fácil quando você está por perto. longe a lembrança dos seus olhos calmos me fazem pensar no futuro. acordar e ver você ali, em sono profundo. uma realização plena me surge dentro deste sonho.

o que fazer neste inicio, torto e perturbado, de noite?
o que fazer em meio ao caos do som e a em meio a saudade da sua boca, dos seus dedos?
talvez chocolate, cores e livro. um paliativo pro verdadeiro desejo. eu quero além.

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