sábado, 28 de abril de 2012

me sinto pressionada. pressionada contra uma parede invisível de realidade. você tem razão, mas eu não pago minhas contas. você tem razão, mas eu não compro minha comida. você tem razão mas minha identidade não tem importancia. você tem razão, mas eu não sou independente assim. ainda durmo numa cama que não é minha, vivo do conforto alheio, vivo uma vida não tão minha, meu amor. isso é foda!

- que a vida corra mas, que ainda assim, o tempo passe devagar.
é uma vontade de viver sem poder ainda começar. uma agonia sem fim.

difícil ser feliz nessa vida de grilhões imaginários.
difícil viver nesse mundo de ilusões e tempestades em copo d'água.
difícil levantar e caminhar sozinho. sair do ovo e respirar livre!

sexta-feira, 27 de abril de 2012


Que dia leve!
não sinto falta de você
da sua voz, nem do beijo,
das palavras ou do toque.

Calma amor,
isso é bom!
diferente pra qum vê, sim!
é bom me soltar de você,
caminhar só.

...mas venha quando quiser, meu bem
e tenha certeza, eu vou te encher de amor!

sábado, 14 de abril de 2012

a noite cai completamente. entramos na madrugada, em um lugar perto música alta toca sem perceber o incomodo que causa aos seus vizinhos de rua, de ouvidos. o céu está negro, há poucas pessoas na rua. um bêbado, certamente. uma mulher deixada após a briga no bar. um salto quebrado. o vento sopra frio e devagar. a música insiste em incomodar. não há limites na cabeça de muitas pessoas. e há limites demais na cabeça de mais um tanto.

os lápis de cores estão espalhados e o coração grita por uma cama grande, pelo seu cheiro nos lençóis, escuridão e sono. na folha, antes branca, agora há um começo de balão, apenas mais um desenho incompleto esperando por cores. os fones de ouvido estão a todo volume música mais agradável que a que toca por perto. o sono está aqui mas ainda não pede cama. não sozinha. as mãos buscam algo interessante, não encontra nada. não há nada.

o ideal era a calmaria e o amor sentado sorrindo, confuso, como sempre. o que terá acontecido com aquela gritaria em você? aquela falta de calma? o que aconteceu com a criança birrenta e sem sentido? eu gosto da confusão no seu rosto. eu consigo rir tão fácil quando você está por perto. longe a lembrança dos seus olhos calmos me fazem pensar no futuro. acordar e ver você ali, em sono profundo. uma realização plena me surge dentro deste sonho.

o que fazer neste inicio, torto e perturbado, de noite?
o que fazer em meio ao caos do som e a em meio a saudade da sua boca, dos seus dedos?
talvez chocolate, cores e livro. um paliativo pro verdadeiro desejo. eu quero além.

sexta-feira, 13 de abril de 2012



Boca

Boca: nunca te beijarei.
Boca de ouro, que ris de mim,
no milímetro que nos separa
cabem todos os abismos.

Boca: se meu desejo
é impotente para fechar-te,
bem sabes disto, zombas
de minha raiva inútil.

Boca amarga pois impossível,
doce boca (não provarei),
ris sem beijo para mim,
beijas outro com seriedade.


(Carlos Drummond de Andrade
in: Brejo das Almas - 1934)
não ver sentido nas coisas é uma droga. que vastidão, que vazio, que ilógica, que mundo grande e sem cor. onde eu estou? estou indo pra onde? porque não para? porque não caminhar? porque continuar? ...sem destino, caminho, e com limites. e como pode isso? 

que vazio!

a arte é necessária. 
o tempo todo!


"When you try your best, but you don't succeed,
When you get what you want, but not what you need,
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse
And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse?
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you."



quinta-feira, 12 de abril de 2012

que coisa louca essa de viver.

eu ando parada, tão inexistente, tão morta, tão imóvel, tão pálida, tão calada, tão nem aí.
que coisa estranha não conseguir o encantamento que procuro.
onde é que eu estou? o que estou fazendo? por onde andam as cores?
por onde anda o verdadeiro pensamento, a reflexão que voa.

é uma falta de tempo, de folego.
é uma falta de vida, de choro.
falta de tudo, de nada, de sol.
falta de brilho, de céu, de mar.

onde estão aquelas fotografias? e cadê os livros? os amores estão meio perdidos. a poesia está pobre, a vida só tem um único objetivo? e é tão importante assim? porque essa obrigação de correr? porque essa pressa em fingir viver?

...eu estou tão cansada da pressa.
cansada da espera, do cotidiano bobo, do preço das coisas.
cansada de querer e ficar querendo mesmo sem poder.
cansada de estar cansada demais!

vontade gigante de sair correndo! de ficar parada por muito tempo, vendo o céu e só.
vontade gigante de olhar nos olhos negros (seus) e morrer de amor.
vontade gigante de banhar na chuva e gritar bem alto, bem forte, sem parar.
vontade de tomar sorvete na beira mar e sentir o vento...batendo...levando tudo embora.

quero viver esse mundo de modo mais intenso, mais calmo...ao seu lado e só. estar sozinha e desenhar sem pressa, sem objetivos. onde estão meus malabares?

que saudade de mim!

domingo, 8 de abril de 2012

tem algo de impressionante nisso de insinuar (fazer entrar no espirito de maneira indireta). é intragável. que vida mais infeliz essa de xingar todo mundo, odiar todo mundo, sofrer e achar normal. que vida infeliz essa de empurrar com a barriga, de sorrir sem querer e brincar sem porque. que vida infeliz essa de se achar melhor, superior e acreditar ter certeza de tudo...que vida infeliz essa de fingir ser feliz e do bem quando dentro se está podre, despedaçando, ruindo, desmoronando.

tenho pena e,
se por maldade, eu não sei, não ligo.

sábado, 7 de abril de 2012


as pessoas se irritam com qualquer coisa por esses dias. existe nelas uma necessidade de aceitação, de estarem corretas. o mundo anda tão cinza, tão sem graça, tão sem vida; o gosto pelo sorriso, pelo avesso, pelo céu, o gosto pelo cheiro, pelo beijo, pelo amor. onde estará você?...mas é assim que se "vive" a vida. e sobreviver é viver? e fingir é ser? e olhar é ver? e se sente o toque? e se espera? e se ama? onde estará sua alma? por onde tem andado sua vida? ando muito cansada pra dar voz a coisas tão pequenas, sem sentido e sem sentimento. eu ando pálida, meio sem cor e ando devagar. e é agora, por incrível que pareça, que eu estou encontrando vida de verdade.



silêncio.

e acho que daqui pra frente será assim.
na verdade, a única coisa que sei de fato é do amor que tenho e da inconstância do mundo.
do meu mundo!

aqui derramarei meu choro,
gritarei, colocarei em palavras escritas tudo o que for possível.
direi as mazelas, as felicidades, os retratos em preto e branco.
aqui irei falar alto, cantar baixo, sorrir de mim. 
aqui e só aqui colocarei pra fora tudo o que não cabe mais em mim.

não é nova fase,
não é mudança,
não é promessa.

...é apenas que um dia chega a hora de voltar! (: